AIDS na mulher






Introdução
     De acordo com a Organização Mundial da Saúde, no final do ano de 2002 aproximadamente 50% dos 38,6 milhões de adultos com HIV/Aids eram do sexo feminino. As mulheres são particularmente vulneráveis a transmissão sexual do HIV em função da grande exposição de mucosa ao fluido seminal. Assim mais de 90% dos casos no mundo são resultados de reações heterossexuais. Nos EUA, 75% são por relações sexuais e 25% por uso de drogas injetáveis.
     O fator econômico social representa agravamento da situação: nos EUA mais de 82% dos casos de Aids acometem mulheres afro-americanas e hispânicas. Esta tendência é vista em todos os lugares, em todo mundo.
     As DSTs, particularmente aquelas que causam ulcerações vaginais como o herpes genital, a sífilis e o cancróide, aumentam significativamente o risco de transmissão do HIV. O uso de álcool, abuso sexual e o uso de drogas como o crack e a cocaína são também importantes fatores na transmissão.
     O mecanismo mais comum de transmissão do HIV entre as mulheres ainda é através de relações sexuais, quer seja com parceiro usuário de drogas injetáveis ou através de parceiro bissexual ou mesmo de parceiro que tenha se contaminado com mulher infectada.

Sinais e sintomas do HIV próprios da mulher

     A maioria das manifestações é similar no homem e na mulher em relação ao Sarcoma de Kaposi, a probabilidade do homem soropositivo de desenvolver é 8 vezes maior que na mulher. Alguns estudos também apontam taxas mais elevadas de infecção por Herpes Simplex na mulher. Há estudos também que demonstram que as mulheres têm maior probabilidade de adquirir pneumonias bacterianas que os homens.
     Abaixo relacionamos algumas doenças encontradas em mulheres soropositivas –
     Infecções Fúngicas Vaginais: são particularmente persistentes e de difícil tratamento. Outras infecções vaginais como vaginose bacteriana, gonorréia, clamídia e tricomoníase ocorrem com maior freqüência e com mais gravidade.
     Ulcerações Graves por Herpes Simplex: Costumam ser pouco responsivas a terapias convencionais como aciclivir, além de comprometer severamente a qualidade de vida.
     Úlceras Genitais e Diopáticas: não apresentam evidencia de agentes infecciosos ou de células cancerígenas. Não tem tratamento comprovado e freqüentemente são confundidas com Herpes Simplex.
     Lesões Provocadas Pelo Papiloma Vírus(HPV): Causam verrugas genitais, e dependendo do grau de imunodeficiência podem se apresentar em forma de cachos de enormes proporções e podem evoluir para o câncer cervical. A displasia cervical é uma lesão pré cancerosa, mais grave, recorre mais freqüentemente e é a mais observada na mulher soropositiva.
     Doença Inflamatória Pélvica: é a mais comum e a mais agressiva na mulher com HIV, podendo se tornar crônica e recorrente em situações de sistema imune mais precário. Lembrar que costumam desenvolver abscessos tubo-ovarinos mais freqüentemente.
     Alterações Menstruais: Mulheres com contagem de linfócitos CD4 muito baixos geralmente não apresentam menstruação.
     È recomendado às mulheres soropositivas uma avaliação ginecológica completa, incluindo exame de papanicolaou como parte da avaliação inicial e outro papanicolaou após 6 meses. Se ambos forem negativos, recomenda-se a realização de outro, uma vez por ano nas assintomáticas. Em mulheres com sintomas relacionados ao HIV, com exames anteriores anormais ou com HPV são recomendados exames a cada 6 meses.
     Quanto ao câncer de mama não há evidencias que tenham maior incidência nas mulheres com HIV que na população geral. Estudos ainda serão necessários para se avaliar os efeitos contraceptivos hormonal para o risco de infecção pelo HIV.
     Alguns fatores poderão aumentar o risco para aquisição do HIV:

  • Presença de DSTs, principalmente com lesões ulceradas.
  • Ausência de circuncisão no homem e ectopia cervical na mulher.
  • Práticas sexuais durante o período menstrual e relação anal receptiva.
  • Doença avançada no parceiro infectado, carga viral elevada, baixa contagem de células T-CD4 e infecção aguda pelo HIV.